Um
jogo entre Lakers e Spurs é sempre um grande cartaz, pelos grandes nomes
envolvidos e pela rivalidade que estas duas formações têm acentuado há pelo
menos 12 anos. No entanto, ambas protagonizaram um fraco espectáculo, com más exibições
de ambos os lados. Mas como tinha de haver um vencedor, apesar de ambas
merecerem a derrota, acabou por triunfar aquela que foi menos má nos minutos da
decisão e aí venceram os do costume, os San Antonio Spurs organizaram melhor o
ataque final e venceram em Los Angeles por 82-84.
O
arranque do jogo deixava no ar um filme totalmente diferente daquele que
viríamos depois a assistir, ou seja, ambas as equipas entraram a marcar pontos
com consistência, embora tenham dividido o protagonismo em alturas diferentes.
Os Spurs começaram primeiro por entrar com um parcial de 2-10, com os Lakers a
terem depois o papel principal com um parcial de 14-0. Daqui para a frente foi
empate atrás de empate, ou uma ou outra liderança por vantagens mínimas. O
primeiro período, graças ao parcial já referido, foi o melhor dos Lakers, com
estes a vencerem por 24-18.
No
2º período o jogo piorou e nenhuma equipa conseguia ser consistente no ataque,
com várias péssimas decisões de ambos os lados. Se nos Lakers ainda se conseguia
dar alguma desculpa por não terem qualquer um dos seus principais bases – Nash
e Blake lesionados – já nos Spurs não se encontrava grande explicação. Bastava
ao banco dos Spurs ter jogador metade do que costuma jogar, para ter dado um
balanço totalmente diferente à partida, já que o dos Lakers esteve dentro do
registo normal com poucos pontos, e acima de tudo, muito pouco jeito para a
prática do basquetebol, sendo Jordan Hill a única excepção.
O intervalo
chegava, para alivio daqueles que apenas queriam ver um jogo bem jogado, com os
Lakers ainda na frente por 43-38. Numa primeira parte tão mal jogada, Kobe
Bryant era a excepção, liderando a equipa em pontos e sendo a voz de comando de
uma equipa desorientada sem rumo e à espera do seu novo timoneiro. Nos Spurs
era Tony Parker quem se destacava mais.
O
intervalo não resolveu nada e as equipas regressaram a jogar o mesmo da 1ª
parte, ou melhor, a tentar jogar alguma coisa. Este 3º período foi o melhor dos
Spurs, com a equipa a destacar-se um pouco dos Lakers. Tim Duncan apareceu mais
activo na luta debaixo das tabelas e começou a fazer alguns pontos com
consistência, sendo o melhor da equipa. No lado dos visitados, os Lakers
tentavam, a todo o custo, concretizar dois ataques consecutivos com algum
discernimento, o que se revelava uma tarefa bastante árdua quando a bola estava
nas mãos de Darius Morris, ou de Jodie Meeks. A única solução era mesmo
aparecer Kobe Bryant, ou em alguns ataques esporádicos, Dwight Howard. Os
jogadores de Gregg Popovich conseguiram melhorar um pouco e seguraram a vitória
no período por 16-22.
No
último período o factor positivo foi a incerteza que durou até ao último
segundo, pois as equipas continuaram a trocar liderança atrás de liderança,
permanecendo empatadas em grande parte do tempo e perante a inconstância de
ambas, à medida que o tempo avançava cada vez que alguma conseguia, enfim,
meter a bola dentro do cesto era considerado de uma importância extrema. Perto
do final os Lakers chegaram a dar a sensação de poder ficar com a vitória,
principalmente depois de Gasol ter marcado 4pts consecutivos, ficando a equipa
a vencer por 82-79. Tim Duncan respondeu e reduziu para a vantagem mínima, com
os Lakers a responderem mal no ataque, com um lançamento falhado por World
Peace e uma falta debaixo do cesto de Howard.
Os Spurs ainda tinham uns
intermináveis 19 segundos para organizar o seu ataque e definir da melhor
maneira a passagem para a frente do marcador. Foi isso que fizeram, Uma troca
de bola simples entre Parker, Duncan e Leonard, com Green a desenvencilhar-se
da marcação de Bryant e concretizar um lançamento de três pontos que viria a
fechar o marcador em 82-84 para os Spurs. Os Lakers ainda tinham 9 segundos, só
não tiveram o mesmo esclarecimento e a bola entrou em Gasol e este não
conseguiu passar a Bryant, sendo obrigado a lançar de 3pts, com a bola a não
entrar.
O
primeiro embate entre estas duas formações rivais foi algo desapontante, pois o
jogo teve momentos muito pouco condizentes com a qualidade que ambas têm. Ainda
assim, o que se retira deste jogo é uma equipa dos Lakers a precisar com
urgência de um treinador e que Steve Nash recupere muito rapidamente. Mike
D’Antoni tem de começar a pensar seriamente o que quer fazer com esta equipa,
pois ela demonstra estar muitos furos abaixo dos restantes candidatos ao
título. Os Spurs, não jogaram bem, é verdade, mas estão num nível diferente.
Estão naquele nível em que não é uma exibição menos boa que pode abalar seja o
que for e a verdade é que ainda saem mais confiantes deste jogo.
Avaliação
dos jogadores:
D. MORRIS: Não agarrou a
oportunidade. Mesmo que tenha de voltar a jogar, devido às ausências de Nash e
Blake, se D’Antoni está já a tentar perceber com quem pode contar, Morris é
provável que tenha já um traço em cima. Ansioso, desastrado e sem basquetebol
para este nível – 1pt, 2rst, 1ast e 0 em 5: NOTA 1
K. BRYANT: A equipa dos Lakers
volta a ser Bryant e os outros. Está como o vinho, dando a sensação dos anos
não passarem por ele, tal é a disponibilidade e a classe com que joga. Esteve
ao seu melhor nível, no entanto os seus colegas ainda não o acompanham – 28pts,
4rst, 8ast e 12 em 19: NOTA 4
M. WORLD PEACE: Como é que é
possível que continue a lançar tanto como lança? 4 em 14 diz tudo acerca de um
jogador que continua a prejudicar o ataque da sua equipa, com tanta insistência
numa área que não é, nem nunca foi, a sua – 12pts e 4rst: NOTA 2
P. GASOL: Cada vez joga mais
afastado do cesto e isso não pode ser solução. Além disso esteve bastante
desconcentrado na defesa, perdendo alguns bolas com a ingenuidade de um rookie.
Há procura da melhor forma – 10pts, 10rst , 5ast e 3 em 10: NOTA 2
D. HOWARD: Começou bem, mas até
ao final do jogo foi sempre a descer. Muito esforçado na defesa, mas pouco
esclarecimento no ataque, colecionando 6 turnovers. Dá sinais de estar a
evoluir fisicamente, mas ainda não é o Howard dominante – 13pts, 15rst e 3blo:
NOTA 2
A. JAMISON: Se há jogador que
tem qualidade acima da média para ser factor vindo do banco é ele! No entanto,
sempre que entra, até que se note a sua presença, passam minutos e minutos sem
que registe algo digno de nota. Parece que se esconde do jogo e assim
dificilmente poderá ser o “sexto jogador” – 5pts e 3rst: NOTA 1
J. HILL: Continua a
justificar todos os minutos de utilização e da forma como este jogo estava, até
se justificava a sua presença na altura decisiva, pois nos últimos minutos
faltou quem tivesse a mesma entrega e energia que ele – 8pts, 6rst e 3blo: NOTA
3
C. DUHON: Nunca foi, nem há-de
ser, um base de primeira linha, mas daí a ser opção atrás de Morris vai uma
grande diferença – 5pts, 2rst e 3ast: NOTA 2
J. MEEKS: Teve o mérito de
aproveitar os minutos que tem tido, sem Mike Brown, para provar o porquê de não
ser utilizado com o ex-treinador… dizer que jogou mal é um elogio à sua
exibição. Cada bola nas suas mãos parecia que caía num buraco sem fundo. Se a
escala fosse de 0 a 5… - 2rst e 2rb: NOTA 1
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T. PARKER: Esteve bem no seu
papel de organizar a equipa, embora também se tenha deixado influenciar, em
alguns momentos, pela desorganização geral da partida – 19pts, 4rst, 7ast e 8
em 18: NOTA 3
D. GREEN: O triplo
concretizado a 9 segundos do fim deu a vitória à equipa e valorizou a sua
exibição, que até aí, vinha sendo pautada pela pouca eficácia no que melhor
sabe fazer, que é lançar – 11prs, 5rst, 3rb e 4 em 12: NOTA 2
K. LEONARD: Para o potencial que
tem e pelo que já demonstrou em outros jogos, anda a ter jogos muito longe do
que se espera dele. Passou completamente ao lado da partida – 7pts e 4rst: NOTA
1
T. DUNCAN: É de uma
inteligência a jogar de outro nível. Não fez um jogo consistente, mas percebe
quando as coisas não estar a sair como o normal e procura dar outras coisas à
equipa, como segurança e tranquilidade. Muito importante nos minutos finais do
jogo – 18pts, 9rst, 4ast, 4blo e 9 em 19: NOTA 3
T. SPLITTER: Surgiu no 5 inicial,
em vez de Diaw, talvez para fazer frente às torres interiores dos Lakers.
Dentro do que sabe fazer, não esteve mal e até importunou várias vezes a acção
quer de Howard, como de Gasol. Missão cumprida – 9pts e 9rst: NOTA 2
S. JACKSON: Pouco ou nada deu à
equipa. Normalmente tem uma presença mais decisiva, com pontos e entrega na
defesa, mas hoje não foi o seu dia – 6pts: NOTA 1
D. BLAIR: Que jogador seria se
tivesse dois joelhos normais, assim fica limitado também em tempo de jogo, mas
enquanto está lá dentro é inteligente, eficaz e sabe passar bem a bola – 6pts,
2rst e 2ast em 13 min: NOTA 2
M. GINOBILI: Quem foi este
jogador que vestiu a camisola com o nome de “Ginobili” nas costas? O astro argentino
não esteve no Staples Center. Ainda está muito longe de ser o jogador que todos
conhecem – 3pts e 3st, 1 em 8: NOTA 1
B. DIAW: Desta vez foi
relegado para o banco de suplentes, em virtude da superioridade física dos
jogadores interiores de LA. Quando entrou fez um triplo e nada mais – 3pts,
1rst e 1rb: NOTA 1
G. NEAL: Um dos que costuma
dar mais pontos vindo do banco, estranhamente apenas actuou durante 8 minutos,
lançando por três vezes, mas sem sucesso – 2rst, 1ast e 1rb: NOTA 1
P. MILLS: Dois pontos e um
roubo de bola, em seis minutos: NOTA 1

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