quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Venceram os menos maus


Um jogo entre Lakers e Spurs é sempre um grande cartaz, pelos grandes nomes envolvidos e pela rivalidade que estas duas formações têm acentuado há pelo menos 12 anos. No entanto, ambas protagonizaram um fraco espectáculo, com más exibições de ambos os lados. Mas como tinha de haver um vencedor, apesar de ambas merecerem a derrota, acabou por triunfar aquela que foi menos má nos minutos da decisão e aí venceram os do costume, os San Antonio Spurs organizaram melhor o ataque final e venceram em Los Angeles por 82-84.

O arranque do jogo deixava no ar um filme totalmente diferente daquele que viríamos depois a assistir, ou seja, ambas as equipas entraram a marcar pontos com consistência, embora tenham dividido o protagonismo em alturas diferentes. Os Spurs começaram primeiro por entrar com um parcial de 2-10, com os Lakers a terem depois o papel principal com um parcial de 14-0. Daqui para a frente foi empate atrás de empate, ou uma ou outra liderança por vantagens mínimas. O primeiro período, graças ao parcial já referido, foi o melhor dos Lakers, com estes a vencerem por 24-18.

No 2º período o jogo piorou e nenhuma equipa conseguia ser consistente no ataque, com várias péssimas decisões de ambos os lados. Se nos Lakers ainda se conseguia dar alguma desculpa por não terem qualquer um dos seus principais bases – Nash e Blake lesionados – já nos Spurs não se encontrava grande explicação. Bastava ao banco dos Spurs ter jogador metade do que costuma jogar, para ter dado um balanço totalmente diferente à partida, já que o dos Lakers esteve dentro do registo normal com poucos pontos, e acima de tudo, muito pouco jeito para a prática do basquetebol, sendo Jordan Hill a única excepção. 

O intervalo chegava, para alivio daqueles que apenas queriam ver um jogo bem jogado, com os Lakers ainda na frente por 43-38. Numa primeira parte tão mal jogada, Kobe Bryant era a excepção, liderando a equipa em pontos e sendo a voz de comando de uma equipa desorientada sem rumo e à espera do seu novo timoneiro. Nos Spurs era Tony Parker quem se destacava mais.

O intervalo não resolveu nada e as equipas regressaram a jogar o mesmo da 1ª parte, ou melhor, a tentar jogar alguma coisa. Este 3º período foi o melhor dos Spurs, com a equipa a destacar-se um pouco dos Lakers. Tim Duncan apareceu mais activo na luta debaixo das tabelas e começou a fazer alguns pontos com consistência, sendo o melhor da equipa. No lado dos visitados, os Lakers tentavam, a todo o custo, concretizar dois ataques consecutivos com algum discernimento, o que se revelava uma tarefa bastante árdua quando a bola estava nas mãos de Darius Morris, ou de Jodie Meeks. A única solução era mesmo aparecer Kobe Bryant, ou em alguns ataques esporádicos, Dwight Howard. Os jogadores de Gregg Popovich conseguiram melhorar um pouco e seguraram a vitória no período por 16-22.

No último período o factor positivo foi a incerteza que durou até ao último segundo, pois as equipas continuaram a trocar liderança atrás de liderança, permanecendo empatadas em grande parte do tempo e perante a inconstância de ambas, à medida que o tempo avançava cada vez que alguma conseguia, enfim, meter a bola dentro do cesto era considerado de uma importância extrema. Perto do final os Lakers chegaram a dar a sensação de poder ficar com a vitória, principalmente depois de Gasol ter marcado 4pts consecutivos, ficando a equipa a vencer por 82-79. Tim Duncan respondeu e reduziu para a vantagem mínima, com os Lakers a responderem mal no ataque, com um lançamento falhado por World Peace e uma falta debaixo do cesto de Howard. 

Os Spurs ainda tinham uns intermináveis 19 segundos para organizar o seu ataque e definir da melhor maneira a passagem para a frente do marcador. Foi isso que fizeram, Uma troca de bola simples entre Parker, Duncan e Leonard, com Green a desenvencilhar-se da marcação de Bryant e concretizar um lançamento de três pontos que viria a fechar o marcador em 82-84 para os Spurs. Os Lakers ainda tinham 9 segundos, só não tiveram o mesmo esclarecimento e a bola entrou em Gasol e este não conseguiu passar a Bryant, sendo obrigado a lançar de 3pts, com a bola a não entrar.

O primeiro embate entre estas duas formações rivais foi algo desapontante, pois o jogo teve momentos muito pouco condizentes com a qualidade que ambas têm. Ainda assim, o que se retira deste jogo é uma equipa dos Lakers a precisar com urgência de um treinador e que Steve Nash recupere muito rapidamente. Mike D’Antoni tem de começar a pensar seriamente o que quer fazer com esta equipa, pois ela demonstra estar muitos furos abaixo dos restantes candidatos ao título. Os Spurs, não jogaram bem, é verdade, mas estão num nível diferente. Estão naquele nível em que não é uma exibição menos boa que pode abalar seja o que for e a verdade é que ainda saem mais confiantes deste jogo.

Avaliação dos jogadores:

D. MORRIS: Não agarrou a oportunidade. Mesmo que tenha de voltar a jogar, devido às ausências de Nash e Blake, se D’Antoni está já a tentar perceber com quem pode contar, Morris é provável que tenha já um traço em cima. Ansioso, desastrado e sem basquetebol para este nível – 1pt, 2rst, 1ast e 0 em 5: NOTA 1

K. BRYANT: A equipa dos Lakers volta a ser Bryant e os outros. Está como o vinho, dando a sensação dos anos não passarem por ele, tal é a disponibilidade e a classe com que joga. Esteve ao seu melhor nível, no entanto os seus colegas ainda não o acompanham – 28pts, 4rst, 8ast e 12 em 19: NOTA 4

M. WORLD PEACE: Como é que é possível que continue a lançar tanto como lança? 4 em 14 diz tudo acerca de um jogador que continua a prejudicar o ataque da sua equipa, com tanta insistência numa área que não é, nem nunca foi, a sua – 12pts e 4rst: NOTA 2

P. GASOL: Cada vez joga mais afastado do cesto e isso não pode ser solução. Além disso esteve bastante desconcentrado na defesa, perdendo alguns bolas com a ingenuidade de um rookie. Há procura da melhor forma – 10pts, 10rst , 5ast e 3 em 10: NOTA 2

D. HOWARD: Começou bem, mas até ao final do jogo foi sempre a descer. Muito esforçado na defesa, mas pouco esclarecimento no ataque, colecionando 6 turnovers. Dá sinais de estar a evoluir fisicamente, mas ainda não é o Howard dominante – 13pts, 15rst e 3blo: NOTA 2

A. JAMISON: Se há jogador que tem qualidade acima da média para ser factor vindo do banco é ele! No entanto, sempre que entra, até que se note a sua presença, passam minutos e minutos sem que registe algo digno de nota. Parece que se esconde do jogo e assim dificilmente poderá ser o “sexto jogador” – 5pts e 3rst: NOTA 1

J. HILL: Continua a justificar todos os minutos de utilização e da forma como este jogo estava, até se justificava a sua presença na altura decisiva, pois nos últimos minutos faltou quem tivesse a mesma entrega e energia que ele – 8pts, 6rst e 3blo: NOTA 3

C. DUHON: Nunca foi, nem há-de ser, um base de primeira linha, mas daí a ser opção atrás de Morris vai uma grande diferença – 5pts, 2rst e 3ast: NOTA 2

J. MEEKS: Teve o mérito de aproveitar os minutos que tem tido, sem Mike Brown, para provar o porquê de não ser utilizado com o ex-treinador… dizer que jogou mal é um elogio à sua exibição. Cada bola nas suas mãos parecia que caía num buraco sem fundo. Se a escala fosse de 0 a 5… - 2rst e 2rb: NOTA 1

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T. PARKER: Esteve bem no seu papel de organizar a equipa, embora também se tenha deixado influenciar, em alguns momentos, pela desorganização geral da partida – 19pts, 4rst, 7ast e 8 em 18: NOTA 3

D. GREEN: O triplo concretizado a 9 segundos do fim deu a vitória à equipa e valorizou a sua exibição, que até aí, vinha sendo pautada pela pouca eficácia no que melhor sabe fazer, que é lançar – 11prs, 5rst, 3rb e 4 em 12: NOTA 2

K. LEONARD: Para o potencial que tem e pelo que já demonstrou em outros jogos, anda a ter jogos muito longe do que se espera dele. Passou completamente ao lado da partida – 7pts e 4rst: NOTA 1

T. DUNCAN: É de uma inteligência a jogar de outro nível. Não fez um jogo consistente, mas percebe quando as coisas não estar a sair como o normal e procura dar outras coisas à equipa, como segurança e tranquilidade. Muito importante nos minutos finais do jogo – 18pts, 9rst, 4ast, 4blo e 9 em 19: NOTA 3

T. SPLITTER: Surgiu no 5 inicial, em vez de Diaw, talvez para fazer frente às torres interiores dos Lakers. Dentro do que sabe fazer, não esteve mal e até importunou várias vezes a acção quer de Howard, como de Gasol. Missão cumprida – 9pts e 9rst: NOTA 2

S. JACKSON: Pouco ou nada deu à equipa. Normalmente tem uma presença mais decisiva, com pontos e entrega na defesa, mas hoje não foi o seu dia – 6pts: NOTA 1

D. BLAIR: Que jogador seria se tivesse dois joelhos normais, assim fica limitado também em tempo de jogo, mas enquanto está lá dentro é inteligente, eficaz e sabe passar bem a bola – 6pts, 2rst e 2ast em 13 min: NOTA 2

M. GINOBILI: Quem foi este jogador que vestiu a camisola com o nome de “Ginobili” nas costas? O astro argentino não esteve no Staples Center. Ainda está muito longe de ser o jogador que todos conhecem – 3pts e 3st, 1 em 8: NOTA 1

B. DIAW: Desta vez foi relegado para o banco de suplentes, em virtude da superioridade física dos jogadores interiores de LA. Quando entrou fez um triplo e nada mais – 3pts, 1rst e 1rb: NOTA 1

G. NEAL: Um dos que costuma dar mais pontos vindo do banco, estranhamente apenas actuou durante 8 minutos, lançando por três vezes, mas sem sucesso – 2rst, 1ast e 1rb: NOTA 1
P. MILLS: Dois pontos e um roubo de bola, em seis minutos: NOTA 1

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